Antes de mudar, o corpo já decidiu
- Luciana Almiñana Moreira

- 19 de jan.
- 2 min de leitura
Você acha que escolhe.
Mas, quando percebe, já fez de novo.
A mesma escolha. O mesmo tipo de pessoa. O mesmo padrão. O mesmo erro que você jurou que não repetiria.
E aí vem a culpa.
“Eu sabia.” “Por que fiz isso de novo?” “Eu não aprendo.”
Só que tem uma parte importante que quase ninguém te explica.
Você não decide para viver melhor. Você decide para sobreviver.
Mesmo quando isso te machuca.
O corpo escolhe antes da consciência
Antes de qualquer pensamento elaborado, o corpo já respondeu.
Um aperto. Uma tensão. Um alívio estranho. Uma sensação familiar.
Não é racional. Não é lógico. Não é consciente.
É conhecido.
O corpo prefere o que ele já conhece, porque já sobreviveu a isso uma vez. Mesmo que tenha sobrevivido mal. Mesmo que tenha doído. Mesmo que tenha cobrado caro.
O previsível acalma mais do que o saudável.
Por isso você volta para o que te faz mal
Não é falta de caráter. Não é fraqueza. Não é falta de força de vontade.
É repetição.
O corpo reconhece aquele cenário como familiar. E o familiar gera menos ameaça do que o desconhecido.
Mudar exige atravessar o desconhecido. E o corpo odeia o desconhecido.
Então ele puxa você de volta.
A consciência sempre chega atrasada
A consciência vem depois.
Depois da mensagem enviada. Depois do “sim” que você queria dizer “não”. Depois da recaída. Depois da decisão impulsiva.
E quando ela chega, vem carregada de julgamento.
“Eu devia ter pensado melhor.” “Eu devia ter sido mais forte.” “Eu devia ser diferente.”
Mas você estava tentando sobreviver. Não ser melhor. Não evoluir. Não se curar.
Sobreviver.
Enquanto você tenta se entender pela razão, o corpo repete
Você pode:
entender o padrão
explicar o trauma
nomear o comportamento
racionalizar tudo
E ainda assim repetir.
Porque repetição não se quebra só com entendimento. Ela se quebra quando o corpo aprende outra forma de existir sem entrar em alerta.
E isso não acontece com força. Nem com cobrança. Nem com promessa de mudança rápida.
Acontece com processo. Com ritmo. Com segurança.
O problema não é você. É o método que te venderam.
Te ensinaram que:
basta querer
basta decidir
basta mudar o pensamento
Mas ninguém te ensinou a tirar o corpo do modo sobrevivência.
Sem isso, a mente até entende. Mas o corpo puxa você de volta.
Sempre.
Se isso fez sentido, aqui começa outro caminho
Não é um caminho rápido. Não é mágico. Não é bonito o tempo todo.
Mas é honesto.
E ele começa quando você para de se tratar como defeito e passa a entender como funcionamento.
Se isso descreveu você, o próximo passo estruturado está no curso A Chave da Mente.
Sem promessa milagrosa. Sem autoengano.






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